BLOG, volta ao trabalho

Revolução pessoal

fotoTodo mundo diz que depois que o filho nasce tudo muda, é o que mais ouvimos quando estamos grávidas: – se prepara que nada mais vai ser como antes! Não posso dizer que ninguém me avisou, mas não estava preparada para mudar de personalidade.

Minha vida sempre foi on the road, era raro passar mais de três meses na mesma cidade. Se eu planejava o dia de amanhã, o depois de amanhã já era meio impossível e a palavra rotina foi riscada do meu vocabulário depois que o colégio acabou. Nunca hesitei em pegar mais de um trabalho ao mesmo tempo, porque sabia que quando o deadline batia na porta era só virar um trio de madrugadas ou sacrificar um par de sábado e domingo que tava tudo resolvido. Também nunca dei muita bola para dinheiro, porque na hora que o saldo baixava sabia como viver uns bons tempos a pão e ovo. Pode parecer bem caótico, e era, mas o fato de não ter a cabeça cheia de preocupações fazia com que eu pudesse afirmar que minha vida era bem tranqüila. Era assim, um pouco adolescente.

Daí o Theo nasceu e depois de um ano de dedicação integral eis que volto ao trabalho e sinto como se tivessem queimado meu RG, rasgado as minhas roupas do armário, e mudado o ascendente do meu mapa astral, tudo junto. O tempo que sobra é tão curto que tive que evocar toda a minha ascendência alemã para me transformar numa pessoa que planeja, que faz contas, que calcula quanto gasta, que diz que tais dias da semana são para isso, tais são para aquilo, que marca almoços com dez dias de antecedência, e que pensa três vezes antes de entrar num projeto, afinal, aquelas horas extras que você tinha para dar um jeito em tudo foram para o ralo, ou melhor, foram pra cuidar da cria. Foi difícil encarnar este outro ser, me sinto um pouco velha, embora há quem diga que isso se chame maturidade. Pode ser, outro dia estava mesmo pensando que a adolescência só acaba mesmo quando chegam os filhos, acho que está aí a transformação radical.

Mas o engraçado disso tudo, é que há muito tempo atrás minha astróloga me disse que para funcionar direito, eu precisava era mesmo de rotina, e não é que a danada estava certa? Embora hoje eu seja capaz de fazer menos volume de trabalho, minha hora rende muito mais.  Tenho saudade da yoga e do meu blog mais vivo, ainda estou devendo arrancar dois sisos e desfazer algumas caixas na casa nova, mas meus antepassados alemães hão de me ajudar a encontrar tempo para tudo isso. No mais, às vezes bate uma saudade de ser meio Garfield e não deixar para amanhã o que se pode fazer depois de amanhã, sabe? De ir no cinema no meio da tarde de quarta-feira, de subir a Teodoro Sampaio a pé, de almoçar fora de hora alguma comida de rua, de dormir um dia até às dez da manhã… Mas vamos que vamos, a maternidade é uma atividade bipolar: embora seja trabalho difícil e árduo ela é também o trabalho mais encantador do mundo. E o Theo é um bom patrão, é o melhor que já tive, e mesmo não sendo mais exclusivo, ainda é meu projeto prioritário.  Seguimos!

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