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Licenças

Quando a gente ganha o direito à licença maternidade a gente perde na mesma hora  a licença de andar-por-aí-ao-léu, a licença chegar-na-praia-depois-das-dez, a licença dormir-no-vagão-e-perder-a estação-do-metrô, a licença sentar-no-banco-da-praça-e-ficar-desenhando-a-vida-passar. Não vai soar muito bem, mas os dois primeiros meses de Theo tiveram jeitinho de prisão domiciliar, saída mesmo só para banho de sol no quarteirão.  A sorte é que antes do Theo chegar a gente deu um talento aqui no ninho, pintei, arranquei um tanto de quadro da parede, troquei de sofá (aliás, acho que ter um sofá verdadeiramente confortável é sinal de que você finalmente virou gente grande), plantei manjericão, tomilho e hortelã. São tempos de ficar em casa. Longos dias e noites em vigília. Mas aí um dia você acorda incrivelmente bem disposta porque dormiu quatro horas seguidas, arma o carrinho de bebê que você ainda não sabe mexer direito, desce a imensa ladeira que é toda a sua rua e chega sã e salva no sábado de manhã da feira mais gostosa do bairro. Compra peixe, duas mangas come um pastel de queijo e toma uma água de côco, e a sensação que fica é que você foi a Paris de tão fresca e renovada que sua cuca volta pra casa. E com a certeza que a única licença que não dá para abrir nestes tempos é a licença poética.

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7 thoughts on “Licenças”

  1. que delícia! senti o cheiro dos temperos na tua casa, concordei com o sofá confortável e a sensação de vida adulta, e te imaginei com theo pela rua, toda esta cuca renovada e licença poética.

  2. Oi, descobri esse seu blog pelo How we Montessori e fiquei muito feliz de saber que era brasileira. Moro em Chicago a um tempo.
    Amon, meu filho, tem esses mobiles tb e outros da linha Montessoriana.
    Me indentifiquei muito com tudo que voce escreve aqui no seu blog. Estava dando de mamar para Amon, 6 meses enquanto lia o que voce escreveu sobre a lincenca…muito bom mesmo!!! Como eu ria…nao me lembro de ter rido tanto com algo que eu lesse….como eu me enxerguei ali em tudo que voce escreveu…minha filha me viu ler, enquanto dava de mamar e balancando na cadeira de balanco, e me perguntou:”mommy why you ta sorrindo?”. Hhahaha. Eu, lia, e relia…obrigada por esse momento prazeroso que tive de ler seu blog e vou seguir fielmente daqui para frente.
    Cheers!

  3. oi moça escarlate, tenho uma bebê de 4 meses (a Clara) e passei exatamente tudo deste jeitinho que você passou… até leitinho na seringa, na sondinha… mais lágrimas que choro (e olha eu chorando aqui só de lembrar!)… ai ai… não quero mais sair daqui!

    1. Oi Sônia, eu também não posso nem lembrar. Outro dia estava separando umas fotos do Theo e tive que passar batido por todas desta fase difícil. Foi ver as imagens e o chororô recomeçou. Só daqui a dez anos que mexo com elas de novo. Fico espantada, ainda hoje, como a amamentação pode afetar a gente tão fundo. Beijos!

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