Um quarto cheio e vazio

IMG_0226-2A gente migrou para o Sul, deixamos a cidade maravilhosa e voltamos a morar na cidade imensa e cinzenta onde nasci e cresci, São Paulo. Voltamos por mil questões que envolvem trabalho, amizades, escolas, e não mais morros e ladeiras. Mas o motivo real mesmo, foi esta menina aqui, que quando virou mãe, quis a mãe dela por perto de novo.  Ninguém me contou quando engravidei que as mães também precisam de colo. Então mudamos para um apartamento que está localizado a trinta minutos de caminhada do colo da minha mãe, mais conhecida por Bubú, que foi o jeito que o Theo aprendeu falar vovó.

Deu uma trabalheira danada mudar de cidade com o Theo tão pequeno, ele mal tinha acabado de fazer um ano. Depois dos meus problemas com a amamentação, acho que foi a tarefa mais dura que já tive, ainda mais com o maridón viajando a trabalho. E depois de mudada? Como faz para achar tempo pra arrumar a casa e trabalhar ao mesmo tempo? Não acha. Ela ainda está longe de estar com a nossa cara, está povoada por caixas escondidas nos armários e quadros hibernando atrás dos móveis, mas o quarto do Theo finalmente está pronto, até quadro tem. Continuamos sem berço e com a mesma pegada minimalista que Maria (Montessori) nos ensinou no primeiro quarto do Theo.

O que era pra ser ocupado por cômoda, berço e poltrona, virou espaço pra ocupar com  brincadeira, dança e bola. O quarto vira e desvira, é palco, é circo, é campo de futebol, é ateliê, é oficina. Estou contente, e o sorriso chega na barriga quando vejo o Theo tomando posse de cada metro quadrado do seu território.

Aqui é a cama no modo dormir, aberta, espalhadona, são dois futons de solteiro unidos por um lençol de casal de elástico.

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cama aberta

Durante o dia, a gente dobra um futon em cima do outro e o quarto fica bem mais espaçoso, e o Theo não pisa com o sapato sujo da rua no lençol que vai dormir.

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Este é o mesmo espelho do antigo quarto do Theo, só que na vertical, já que agora ele se locomove só com duas patas. Muita gente pergunta se não é perigoso, principalmente quem é avó, mas este é um espelho inquebrável, é de acrílico e está colado em uma base de MDF que está parafusada na parede, e nem o neném mais bagunceiro é capaz de se machucar.

espelhoMantive o mesmo tatame que fiz para o primeiro quarto do Theo, ele é feito de borracha E.V.A que comprei a metro e forrei com uma capa de brim colorido. Antes servia para o Theo não bater a cabeça no chão enquanto aprendia a engatinhar, agora é pra ele não acordar o vizinho de baixo com a bateção de brinquedos no chão.

IMG_0214-2 IMG_0220-2Bancada/estante para os brinquedos. Estes móveis já foram o trocador do Theo, olha aqui.

IMG_0230-2IMG_0227-2Arte para adultos que é também para crianças. Saul Steinberg. Queria ter conhecido este ilustrador ao vivo, deve ter sido uma boa mistura de sábio com palhaço. São desenhos mágicos e super realistas ao mesmo tempo. Recomendo parafusar os poster na parede, porque os desenhos despertam muito amor nas crianças e elas costuma pegar o afeto na unha.

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Aqui é a esquina dos livros feita com um escorredor de louças, super mal projetado, que me fez quebrar quatro pratos além da minha cumbuca favorita, e que quase incinerei de tanta raiva.

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Papel kraft na parede para desenhar. Eu não resisto e desenho mais que ele, e lógico que mesmo com esta imensidão de espaço ele prefere ir rabiscar em qualquer cantinho que não tenha papel. Já não tenho saliva para tanto não.

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E voilá! Este é o quarto do Theo cheio de ideias inspirada na filosofia de uma senhorinha italiana do balacobaco, que nasceu no século XIX, que já morreu, claro, mas que continua iluminando nosso presente. Resumindo, a ideia é ter um quarto organizado e harmonioso, com poucas coisas e com tudo na altura da criança. Ela tem que ser capaz de entrar e sair da cama quando quiser e de acessar todos os brinquedos e materiais. Não pode ter muita coisa, pois o excesso perturba a capacidade de concentração. Na estante por exemplo, ela recomenda oito brinquedos no máximo. Os que não couberem você pode guardar bem guardado no armário e de tempos em tempo fazer um rodízio, trocar os expostos pelos guardados e a criança terá a sensação que está ganhando brinquedos novos, como se fosse Natal, é incrível. De preferência, materiais naturais, que ninguém mais aguenta este mundo de plástico.

Para saber mais tem este blog: how we montessori, que não canso de indicar. De uma mãe australiana, expert em Montessori, e que posta absolutamente tudo que ela pratica em casa. Foi esse blog que me despertou para o método Montessori. Mais recomendável ainda é ler os livros, pra mim foram fundamentais o Montessori from the Start, da Paula Polk Lillard e Lynn Lillard Jessen e o Mente Absorvente, da própria Maria Montessori.

E viva o espaço vazio! Crie espaço livre para botar muita imaginação dentro!

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Janelas

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Aqui em casa televisão é janela. Não temos e ponto. Assim, nós ganhamos tempo pra fazer outras coisas e o Theo também. Desenhamos muito, dançamos, brincamos de encaixar, lemos e cozinhamos. A real é que não faz nenhuma falta. Mas daí o Theo começou a ter crises respiratórias  e o médico recomendou nebulizações diárias. Aí lascou! Tive que apelar para os vídeos pra ele aquietar e ficar com a máscara de fumacinha 10 minutos seguidos. Comecei pela galinha pintadinha, mas não aguentei ficar assistindo junto. Acho os desenhos feios e os arranjos das músicas terríveis, e comecei a caçar uns vídeos que desse pra nós dois assistirmos juntos. Uma amiga indicou um site americano maravilho, The kid should see this, cujo lema é “Not-made-for-kids videos for kids”, é a coleção de vídeos que um pai fez pra assistir com seus filhos de 5 e 2 anos, e o mais legal é esta história de não ter nenhum vídeo para crianças, e são todos sensacionais. Nessa mesma vibe, comecei a fazer a minha, e o Theo tem adorado assistir no computador isto aqui ó:

1. Michel Gondry na veia! Clipe que ele fez para o Daft Punk e que é um dos melhores vídeos da história. O Theo chama de aieieul (around the world) e ele já começa a dançar a coreografia, imita os astronautas e o bracinho dos hip hopers.

2. Dogs days are over. Esta música foi meu mantra no começo do ano e é super astral e dançante. Theo também imita as dancinhas.

3. Os musicais americanos! Aproveitei pra resgatar meus ídolos da infância: Gene Kelly e Donald O’Connor. Esta cena é a mais divertida de todos os tempos. Por aqui a gente rola de dar risada.

4. O clássico: a cena mais famosa do Cantando na Chuva. É só sucesso.

5. Este o Theo morre de amores quando a menina começa a cantar e adora imitar a dança dos ombrinhos.

6. Gene Kelly e Jerry (o ratinho inimigo do Tom) dançando juntos. E assim Theo está aprendendo a sapatear.

7. E para a finalizar, Donald O’Connor com crise de amor e totalmente bêbado dançando no bar. Este vale a pena botar pra tocar já do meio, pois tem muita falação no começo. O Theo fica doido quando ele começa estourar os balões e quando ele sobe no xilofone.

E assim nos livramos dos vídeos bestas para crianças e ainda ficamos com cosquinha pra dançar a toda hora. Olha aqui o Theo querendo tocar piano que nem o Donald! Image

E vocês? Que vídeos não feitos para crianças que seus filhos gostam?

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Passe Livre

Uma das memórias mais legais que tenho em relação ao quarto Montessori, foi quando o Theo aprendeu a engatinhar e começou a ir sozinho para o nosso quarto depois de acordar. Cena de sonho ver um nenenzinho chegar engatinhando na porta do seu quarto, com o olho brilhando de satisfação de ter trilhado o caminho todo até ali sozinho. Mas aí chegou o inverno e começamos a fechar a porta do quarto contra o frio. Para ganhar sua liberdade ele começou a ter que chorar. Depois aprendeu a bater na porta, e era bonitinho também ouvir o toc toc toc na madeira de manhãzinha. Mas agora chegamos numa solução muito mais bacana: uma corda com argola na ponta que funciona como um prolongador de maçaneta. O Theo aprendeu a usar instintivamente o aparato e agora sai do quarto todo metido por ser dono do próprio nariz.

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Revolução pessoal

fotoTodo mundo diz que depois que o filho nasce tudo muda, é o que mais ouvimos quando estamos grávidas: – se prepara que nada mais vai ser como antes! Não posso dizer que ninguém me avisou, mas não estava preparada para mudar de personalidade.

Minha vida sempre foi on the road, era raro passar mais de três meses na mesma cidade. Se eu planejava o dia de amanhã, o depois de amanhã já era meio impossível e a palavra rotina foi riscada do meu vocabulário depois que o colégio acabou. Nunca hesitei em pegar mais de um trabalho ao mesmo tempo, porque sabia que quando o deadline batia na porta era só virar um trio de madrugadas ou sacrificar um par de sábado e domingo que tava tudo resolvido. Também nunca dei muita bola para dinheiro, porque na hora que o saldo baixava sabia como viver uns bons tempos a pão e ovo. Pode parecer bem caótico, e era, mas o fato de não ter a cabeça cheia de preocupações fazia com que eu pudesse afirmar que minha vida era bem tranqüila. Era assim, um pouco adolescente.

Daí o Theo nasceu e depois de um ano de dedicação integral eis que volto ao trabalho e sinto como se tivessem queimado meu RG, rasgado as minhas roupas do armário, e mudado o ascendente do meu mapa astral, tudo junto. O tempo que sobra é tão curto que tive que evocar toda a minha ascendência alemã para me transformar numa pessoa que planeja, que faz contas, que calcula quanto gasta, que diz que tais dias da semana são para isso, tais são para aquilo, que marca almoços com dez dias de antecedência, e que pensa três vezes antes de entrar num projeto, afinal, aquelas horas extras que você tinha para dar um jeito em tudo foram para o ralo, ou melhor, foram pra cuidar da cria. Foi difícil encarnar este outro ser, me sinto um pouco velha, embora há quem diga que isso se chame maturidade. Pode ser, outro dia estava mesmo pensando que a adolescência só acaba mesmo quando chegam os filhos, acho que está aí a transformação radical.

Mas o engraçado disso tudo, é que há muito tempo atrás minha astróloga me disse que para funcionar direito, eu precisava era mesmo de rotina, e não é que a danada estava certa? Embora hoje eu seja capaz de fazer menos volume de trabalho, minha hora rende muito mais.  Tenho saudade da yoga e do meu blog mais vivo, ainda estou devendo arrancar dois sisos e desfazer algumas caixas na casa nova, mas meus antepassados alemães hão de me ajudar a encontrar tempo para tudo isso. No mais, às vezes bate uma saudade de ser meio Garfield e não deixar para amanhã o que se pode fazer depois de amanhã, sabe? De ir no cinema no meio da tarde de quarta-feira, de subir a Teodoro Sampaio a pé, de almoçar fora de hora alguma comida de rua, de dormir um dia até às dez da manhã… Mas vamos que vamos, a maternidade é uma atividade bipolar: embora seja trabalho difícil e árduo ela é também o trabalho mais encantador do mundo. E o Theo é um bom patrão, é o melhor que já tive, e mesmo não sendo mais exclusivo, ainda é meu projeto prioritário.  Seguimos!

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Vegano

Quando o Theo crescer um pouquinho mais, vou levá-lo no armazém pra ele enterrar a mão nas sacas de cereal que ficam de boca aberta, expostas no chão da loja. Eita tato bom o da pele mergulhando num mar de grãozinhos! Enquanto isso ele vai curtindo o som do brinquedo mais simples de se fazer em casa: pote de shampoo de hotel com arroz, lentilha e feijão dentro. Os chocalhos cabem perfeitamente na mão do neném, o som é uma delícia e ainda vem com a dança dos grãos dentro do pote. Estes brinquedinhos estão com o Theo desde que ele tem 5 meses e a curtição ainda é total. Para manter o frescor, de vez em quando tiro eles de circulação só pra o Theo achar que são novidade quando reaparecem umas semanas depois. Hoje foi dia de tirar os chocalhos do armário.

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Já me sinto melhor em 2013

Janeiro é um mês que costumo me sentir muito bem, me sinto a cima de tudo despressurizada. Dezembro é uma garrafa de champagne que não pára de agitar. É muito festejo,  pedidos a fazer, ceia pra inventar, ciclos para encerrar, tanta coisa pra executar, que no fundo no fundo, dezembro é um poço de pressão. A cidade enlouquece, e a gente junto. Os neurônios não param de borbulhar pensando nos desejos para o ano que vem, enquanto o corpo vai seguindo os rituais das festas e as listas inesgostáveis de ítens a fazer e a comprar. Por isso adoro a passagem de ano novo: estourar rolha, meter o pé na porta, pular as sete ondas, jogar os braços para cima e gritar a pleno pulmões. Arrebenta logo 2013! Me deixe  de ressaca, mas me deixe voltar a viver normalmente! Sobrevivemos a mais um fim de ano, desta vez com um gostinho especial, pois sobrevivemos também ao fim do mundo (quem teve um 2012 fácil por favor levante a mão, ainda não encontrei ninguém). Nós passamos o ano  vendo os fogos na praia de Copacabana e dos amigos que estavam ali na orla, ganhei três uvas na minha taça, cada uma para um pedido. Eu dividi elas com o Theo. Ele provavelmente deve ter pensado:

1. Quero poder mexer nos potes de louça, nos fios do computador, e nos baldes cheios de água da faxina

2. Quero que toda a água seja de côco

3. Quero tomar banho de mangueira sozinho no quintal por uma tarde inteira

Eu pedi:

1. Um ano com muito mais amigos por perto, não só nos domingos e feriados, mas nas terças, quintas e quartas.

2. Um ano que na balança final, a gente tenha feito mais do que pensado.

3. Um ano com a saúde a dia, o amor em alta e se possível, com dim dim pro dia a dia

E pra coroar a leveza que janeiro sempre trás, compartilho uma animação sensasional: simples, bonita, com boa música e com ótimas dicas para 2013.

 

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2013, coragem!

Cartão de Ano Novo!

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